
As exportações brasileiras de proteínas mantiveram trajetória de crescimento em setembro, contribuindo de forma decisiva para o saldo positivo da balança comercial, que atingiu US$ 2,99 bilhões no mês. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o desempenho foi puxado por ganhos expressivos na agropecuária e na indústria de transformação, segmentos nos quais se concentram as principais cadeias da produção animal.
No total, as exportações somaram US$ 30,53 bilhões, avanço de 7,2% frente ao mesmo mês de 2024. O crescimento foi sustentado, sobretudo, pela expansão dos embarques de carne bovina, suína e de aves, além do aumento nas vendas de produtos lácteos e ovos, que, embora ainda representem menor volume, ampliam gradativamente a presença em mercados estratégicos.

Bovinos seguem à frente
O destaque do mês foi novamente a carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, com alta de 55,6% nas exportações, equivalente a US$ 630 milhões adicionais em relação a setembro do ano passado. A recuperação das compras da China — principal destino da proteína — somada ao avanço em Singapura, Índia e países da União Europeia, garantiu impulso significativo às vendas.
No acumulado de janeiro a setembro, o produto registra crescimento de 37,3%, com aumento de US$ 3,09 bilhões na receita cambial. A carne bovina brasileira também ampliou sua presença em mercados da América do Norte e América do Sul, com destaque para os embarques à Argentina e ao Canadá.
Aves mantêm ritmo e ganham espaço em mercados consolidados
As exportações de carne de aves e miudezas também sustentaram bom desempenho ao longo de 2025. No acumulado do ano, houve crescimento de 43,6% nas vendas à América do Norte, especialmente aos Estados Unidos e Canadá, que ampliaram as importações em meio à recomposição de estoques internos e custos mais altos de produção local.
Com um portfólio diversificado, a avicultura brasileira segue fortalecendo sua posição entre os maiores exportadores globais, beneficiada pela confiança sanitária e pelo aumento da competitividade em um cenário internacional de oferta ajustada.
Suínos avançam com demanda asiática
O setor de carne suína apresentou crescimento de 34,7% nos embarques em setembro, impulsionado principalmente pelos mercados da Ásia, como China, Filipinas e Singapura. O aumento de consumo nesses países, aliado à recomposição de estoques pós-pandemia e à estabilidade de preços internacionais, favoreceu o desempenho brasileiro.
No acumulado de janeiro a setembro, o setor mantém trajetória positiva, reforçando o papel do Brasil como importante fornecedor global da proteína, reconhecida pela eficiência produtiva e sanidade do rebanho.
Leite e ovos consolidam nichos externos
Embora com menor representatividade no total exportado, os segmentos de lácteos e ovos vêm ganhando constância nas vendas externas. O leite em pó, queijos e produtos processados mantêm fluxo regular para países da América do Sul e do Oriente Médio, com destaque para a diversificação da pauta exportadora.
Já os ovos e ovoprodutos brasileiros ampliaram participação em mercados asiáticos e caribenhos, aproveitando a boa reputação sanitária e o câmbio favorável às vendas externas.
Força do agro no saldo da balança
De acordo com a Secex, as exportações da agropecuária cresceram 18% em setembro, gerando US$ 1,03 bilhão a mais que em igual mês de 2024. No acumulado do ano, o avanço é de 2,1%, somando US$ 1,21 bilhão adicionais.
A indústria de transformação, que engloba parte das proteínas processadas e produtos de maior valor agregado, também registrou alta de 3,7% no período, o que representa um incremento de US$ 4,93 bilhões nas receitas externas.
O desempenho reflete o protagonismo das cadeias agroindustriais no comércio exterior brasileiro. Além de sustentar o superávit, o setor reforça o papel do país como fornecedor confiável de alimentos em um cenário global marcado por desafios logísticos e tensões geopolíticas.
Entre os principais destinos das proteínas brasileiras, a Ásia permanece na liderança, concentrando boa parte das compras de bovinos e suínos, enquanto a América do Norte avança nas importações de aves e produtos processados. Já a Europa mostra retomada gradual nas compras, favorecida pela demanda de nichos premium e produtos com valor agregado.
A combinação desses fatores mantém o Brasil como líder mundial nas exportações de carnes e amplia as perspectivas para o último trimestre do ano.
Com o câmbio competitivo e a diversificação dos mercados, as cadeias de proteína animal seguem como pilares fundamentais da balança comercial brasileira, reforçando a relevância econômica e estratégica do agronegócio nacional.