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Feira AgroExperts Boituva Aves e Suínos debate caminhos para fortalecer a competitividade da produção de proteína animal no país

O evento trouxe palestras, mesas-redondas e exposição de soluções voltadas ao aumento da produtividade, eficiência e sustentabilidade nas granjas.

A 4ª edição da Feira AgroExperts Boituva Aves e Suínos reuniu, nesta sexta-feira (17), produtores, técnicos, empresas e especialistas para discutir os desafios e as oportunidades da produção de proteína animal no Brasil. Realizado no Centro Municipal de Eventos de Boituva, o encontro teve entrada gratuita e programação ao longo de todo o dia.

Com foco técnico e na integração entre os diferentes elos da cadeia produtiva, o evento trouxe palestras, mesas-redondas e exposição de soluções voltadas ao aumento da produtividade, eficiência e sustentabilidade nas granjas. A iniciativa também reforçou a relevância da região de Boituva no setor e consolidou a feira no calendário do agronegócio paulista.

Cerca de 30 empresas participaram como expositoras, apresentando equipamentos, serviços e inovações tecnológicas para a avicultura e a suinocultura. A presença de agroindústrias e frigoríficos contribuiu para ampliar o intercâmbio de experiências e fomentar novas oportunidades de negócios.

A sanidade animal esteve entre os principais temas debatidos. Especialistas discutiram estratégias de prevenção e controle de doenças como Influenza Aviária e Peste Suína Clássica, abordando impactos produtivos e financeiros, além de medidas para contenção de focos e manutenção da competitividade.

 

O deputado federal Arnaldo Jardim destacou a importância de medidas que fortaleçam a competitividade e a sustentabilidade da avicultura e da suinocultura no país.

Questões relacionadas à gestão e ao manejo também tiveram destaque. Entre os assuntos abordados estiveram o preparo adequado das instalações entre lotes e a importância do vazio sanitário, práticas consideradas essenciais para reduzir riscos sanitários e melhorar o desempenho produtivo, sobretudo em sistemas intensivos.

Outro eixo relevante da programação foi a modernização das granjas, com discussões sobre infraestrutura, tecnologia e processos para melhor aproveitamento do potencial genético dos animais e aumento da eficiência operacional.

Na palestra sobre políticas públicas voltadas ao setor, o deputado federal Arnaldo Jardim destacou a importância de medidas que fortaleçam a competitividade e a sustentabilidade da avicultura e da suinocultura no país. Segundo o parlamentar, o setor vai além da geração de riqueza, sendo também responsável pela distribuição de renda, geração de empregos e desenvolvimento regional.  Jardim destacou ainda os valores que sustentam o agro brasileiro, com ênfase na sustentabilidade e na convivência entre diferentes modelos produtivos. “O grande, o médio e o pequeno produtor têm papéis complementares. Essa harmonia é fundamental para o fortalecimento do setor”, afirmou.

Durante sua fala, o deputado apresentou um balanço das ações da Frente Parlamentar da Agropecuária, especialmente na reforma tributária. Segundo ele, o trabalho da bancada foi decisivo para evitar impactos negativos mais severos ao agro. Entre os pontos destacados estão a garantia de que o setor não fosse excessivamente penalizado, a manutenção da isenção de itens da cesta básica — incluindo proteínas como carnes e frango — e o avanço na regulamentação da integração, modelo considerado estratégico para cadeias como avicultura e suinocultura.

Apesar dos avanços institucionais, Jardim alertou para o cenário desafiador enfrentado pelos produtores, com redução de margens causada pelo aumento dos custos de insumos, como fertilizantes, embalagens e combustíveis.

Outro fator crítico apontado é o elevado custo de capital no Brasil, com taxas de juros que dificultam investimentos e o desenvolvimento da atividade. “Não há crescimento sustentável com esse nível de custo financeiro”, avaliou.

Defesa do agro em ambiente político

No campo político, o deputado Arnaldo Jardim fez um apelo para evitar a polarização ideológica em torno do agronegócio, especialmente em relação a disputas entre agricultura familiar e empresarial. “São modelos complementares, não concorrentes. Precisamos preservar o agro desse tipo de conflito”, disse.

Ele também destacou a importância de eleger representantes comprometidos com o setor, em todos os níveis, como forma de garantir a continuidade de políticas públicas favoráveis.

Por fim, Jardim afirmou que a atuação da FPA seguirá focada na regulamentação da reforma tributária, garantindo que os avanços conquistados sejam mantidos, além do fortalecimento da defesa sanitária. “Seguimos com orgulho e responsabilidade na defesa do agro paulista e brasileiro”, concluiu.

Já na mesa-redonda sobre sanidade, participaram Paulo Blandino, gerente do Programa Estadual de Sanidade Avícola (PESA) de São Paulo, e Arthur Felício, médico veterinário da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA), que discutiram formas de conter focos e reduzir impactos financeiros dessas enfermidades.

Na sequência, Lívia Pegoraro, especialista em frango de corte, e Tarcísio Vasconcelos, especialista em sanidade, abordaram ações para o preparo adequado das instalações entre o alojamento de lotes, reforçando a importância do vazio sanitário.

Ariel Mendes, Diretor-Presidente da Feira AgroExperts Boituva Aves e Suínos, destacou os desafios do agro para reforçar investimento em proteína animal e projetou uma expansão nacional.  “O evento voltado à avicultura e à suinocultura reforçou sua relevância ao reunir produtores, empresas e lideranças políticas em um ambiente que combina conteúdo técnico, debates estratégicos e feira de negócios. A edição deste ano apresentou crescimento em estrutura, número de expositores e diversidade de temas”, destacou.

Um dos diferenciais do encontro, segundo ele, foi a integração entre pautas políticas e técnicas. A programação contou com participação de representantes do setor público, como Arnaldo Jardim, abordando estratégias da frente parlamentar do agronegócio em um cenário marcado por juros elevados, crédito restrito e desafios macroeconômicos.

Ariel Mendes, Diretor-Presidente do evento, a Feira AgroExperts Boituva Aves e Suínos  destacou os desafios do agro para reforçar investimento em proteína animal e projetou uma expansão nacional. 

De acordo com Mendes, apesar das incertezas econômicas e geopolíticas, o setor de proteína animal segue demonstrando resiliência. “A avicultura, por exemplo, registrou crescimento nas exportações em março na comparação anual, mesmo diante de entraves logísticos e tensões internacionais”, pontuou. “A suinocultura, embora enfrente um momento mais desafiador, também mantém perspectivas positivas no médio e longo prazo e o fato de se tratar de um setor essencial — produção de alimentos — garante capacidade de adaptação e recuperação. O cenário favorável tem atraído novos investidores. Há casos recentes de entrada de capital vindo do mercado financeiro para a construção de novas estruturas produtivas, como granjas de grande porte na região de Tatuí, voltadas à integração com agroindústrias”, disse.

Produtor como empresário e foco em decisão estratégica

Um dos pontos reforçados durante o evento é o perfil cada vez mais empresarial do produtor rural. Com investimentos elevados a tomada de decisão exige acesso à informação qualificada.  “O produtor precisa ouvir, entender o cenário e decidir se investe ou não. Hoje ele é um empresário”, destacaram os organizadores, ao enfatizar a importância de eventos que conectem informação técnica, mercado e estratégia”, destacou Ariel Mendes.

Sanidade e impacto econômico no centro do debate

Entre os principais temas técnicos discutidos, a sanidade animal ganhou destaque, com foco nos impactos econômicos de doenças como influenza aviária, peste suína clássica e peste suína africana.

Casos recentes, como os registrados em Montenegro e Anta Gorda, foram utilizados como exemplo para demonstrar os efeitos diretos sobre produtores e mercados. Em alguns casos, restrições comerciais permanecem mesmo após um ano dos surtos. “O objetivo não é apenas falar de biosseguridade, mas mostrar o impacto real no bolso do produtor e na economia do setor”, foi um dos pontos destacados nas discussões”, disse Ariel Mendes.

Outro eixo central do evento foi a modernização das instalações produtivas. Com avanços genéticos constantes, especialistas reforçaram que o desempenho animal depende diretamente de ambiência adequada, incluindo climatização, manejo e estrutura.

A necessidade de atualização de galpões mais antigos, especialmente em regiões de São Paulo, foi apontada como prioridade para manter competitividade e extrair o máximo potencial produtivo.

Além disso, temas como vazio sanitário, manejo entre lotes, limpeza e desinfecção foram debatidos, evidenciando divergências técnicas e a importância de padronização de práticas.

O evento foi encerrado com um debate sobre a modernização das instalações de aves e suínos e os caminhos necessários para maximizar o desempenho produtivo diante do avanço genético dos plantéis.

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