
A 12ª edição do Clube do Leitão, realizada em 5 de dezembro no Japy Golf Resort Hotel, em Cabreúva (SP), reuniu produtores, empresas parceiras, lideranças do setor e seus familiares em uma celebração marcada por propósito, reconhecimento e visão de futuro. Promovido pela Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS), o encontro destacou os avanços da suinocultura paulista, reforçando o papel estratégico do estado no abastecimento de proteína suína e na consolidação de padrões elevados de biosseguridade, rastreabilidade e profissionalização.
Para o presidente da APCS, Valdomiro Ferreira Júnior, o espírito do evento está diretamente ligado à essência da cadeia que representa: uma atividade independente, familiar e profundamente conectada à responsabilidade social e sanitária. “O objetivo nosso hoje era ganhar mais ainda um espaço no fortalecimento da questão da família. Somos uma suinocultura independente que precisamos ter sucessão familiar”, afirma.
O evento trouxe uma programação voltada a esse olhar geracional, com atividades temáticas para crianças – filhos e netos de produtores – que puderam vivenciar, de forma lúdica, elementos da cadeia produtiva. Para Ferreira, essa aproximação desde cedo constrói percepção e orgulho sobre a atividade. “Nós gostaríamos de ter depoimentos de crianças dizendo o orgulho de ter um pai trabalhando para produzir alimento. Isso marca o coração da gente”, destaca.
A nova fase da suinocultura paulista - Além do foco familiar, o evento também refletiu o amadurecimento institucional da APCS. Ferreira ressaltou que a associação consolidou uma trajetória de gestão mais técnica, com ênfase no fortalecimento de parcerias estratégicas. Ele lembrou que, no passado, muitos produtores viam empresas da cadeia como adversárias, mas essa percepção foi superada. “Nós conseguimos derrubar esses mitos. Hoje nós entendemos que precisamos do frigorífico, precisamos das empresas de ração… estamos todos no mesmo negócio.”
Esse fortalecimento ganhou forma com a estruturação do consórcio de compras, considerado por Ferreira um divisor de águas para elevar padrões e conferir segurança aos produtos adquiridos pelos associados. “A parceria com as empresas nos deu a oportunidade de tirar do mercado aquelas que não tinham sequer um registro. Com o profissionalismo do consórcio, só entra produto que tenha registro, responsável técnico, rótulo e validação dos nossos consultores”, explica.
Atualmente, 51 empresas compõem essa sala de negociação, envolvendo setores como medicamentos veterinários, aditivos e nutrição animal. Para a APCS, esse modelo garante transparência, competitividade e confiança, beneficiando desde o produtor até o consumidor final. “Podemos dizer ao consumidor: fique tranquilo, essas empresas estão aptas a vender produtos com garantia de rastreabilidade”, reforça.
Biosseguridade e rastreabilidade como pilares - Durante a conversa, Ferreira destacou que São Paulo desempenha uma função única na suinocultura brasileira: ser a vitrine mais próxima do maior polo consumidor do país. Por isso, a responsabilidade com sanidade e imagem é ainda maior. Ele citou o exemplo simbólico da granja de Jambeiro, localizada às margens da Rodovia dos Tamoios, rota constante entre a capital e litoral paulista. “Precisamos ter uma granja naquele nível, que demonstra a importância da suinocultura e da biosseguridade.”
Segundo Ferreira, a evolução sanitária do estado está diretamente associada aos processos de certificação e à digitalização das informações técnicas. “Hoje nós temos certificadoras dentro das granjas, e toda a documentação está nas nuvens. Quando um auditor chega, acessa tudo com transparência. Isso demonstra que somos altamente competitivos.”
A visão reforça a missão de posicionar a suinocultura paulista como referência em qualidade, controle e comunicação clara com o consumidor.
Perspectivas para 2026 - Encerrando o balanço, Ferreira avaliou 2025 como um ano positivo e afirmou que 2026 tende a ser igualmente promissor – especialmente no fortalecimento das exportações. “Estamos otimistas, sempre com cautela. Vejo que vamos ter um ganho em nível de Brasil de aumentar as exportações por necessidade de outros países e pela referência que o Brasil se tornou”, observa.
Ele ainda mencionou a importância da atuação conjunta entre Ministério da Agricultura e iniciativa privada em situações emergenciais, citando como exemplo recente o episódio sanitário envolvendo aves em Montenegro. A resposta rápida e coordenada comprova a maturidade sanitária do país. “Essa política de aproximação com instituições importantes mostra que estamos fazendo uma sanidade animal muito competitiva no Brasil.”
Clube do Leitão - Na edição de 2025, o Clube do Leitão reafirmou o compromisso da APCS com a união entre famílias, empresas e instituições públicas e privadas. O evento valorizou a cultura paulista, reconheceu profissionais que impulsionam a suinocultura e criou ambientes de troca e convivência entre gerações.
Para Ferreira Júnior, o sentimento geral é de orgulho e continuidade. O trabalho da APCS, segundo ele, seguirá guiado por valores como transparência, profissionalismo, cooperação e responsabilidade compartilhada. A presença de famílias e empresas no mesmo espaço reforça o que tem sustentado o avanço da suinocultura independente em São Paulo: diálogo, confiança e compromisso com o alimento que chega à mesa.