
Em 2026, o Brasil será o maior exportador de produtos agropecuários do mundo. Com essa afirmação, o ex-secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária e economista Luis Rua apresentou, na terça-feira (11), durante o 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), as perspectivas para a cadeia produtiva diante das transformações do mercado global.

Ex-secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária e economista Luis Rua: “O Brasil está atraindo cada vez mais a atenção do mundo, porque tem esses atributos de quantidade, qualidade, sanidade, competitividade e sustentabilidade, que são muito solicitadas pelos mercados internacionais” – Foto: Divulgação/UQ Eventos
O especialista em relações internacionais, que esteve à frente da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) até julho de 2026, frisou que as mudanças no cenário geopolítico têm provocado tensões comerciais e desafios logísticos. Segundo Luis, esses fatores têm exigido das cadeias produtivas cada vez mais esforços para se adaptar às novas realidades. Se por um lado, novos obstáculos surgiram, por outro, o mercado brasileiro tem ultrapassado muitas barreiras e consolidado sua posição como potência na produção de alimentos. E a suinocultura se destaca neste quadro.
Hoje, o Brasil é o quarto maior produtor mundial e, no último ano, passou a ser o terceiro maior exportador, ultrapassando o Canadá. O país atingiu o recorde de 1,51 milhão de toneladas exportadas em 2025, um incremento de quase 130% em relação ao volume registrado dez anos atrás. “O Brasil está atraindo cada vez mais a atenção do mundo, porque tem esses atributos de quantidade, qualidade, sanidade, competitividade e sustentabilidade, que são muito solicitadas pelos mercados internacionais”, explicou.
A abertura de novos mercados é outro fator que Rua destaca. Desde 2020, o Brasil abriu mais de 30 mercados para produtos agropecuários, incluindo novos países para onde vai a carne suína. São novas oportunidades tanto para os produtores, como para a indústria brasileira.
Ainda existem outras fronteiras que o Brasil pode ultrapassar. Uma das possibilidades de expansão é ampliar o número de estados brasileiros autorizados a exportar carne suína para mercados como o Japão, Coreia do Sul, México, Estados Unidos e Canadá.
Outro avanço internacional significativo foi o reconhecimento, pela China, da condição sanitária brasileira como país livre da febre aftosa, medida que pode contribuir para fortalecer a relação comercial com o principal parceiro comercial do Brasil.
Para o especialista, a manutenção e a ampliação da participação brasileira no comércio internacional dependem de uma estratégia contínua de acesso aos mercados. “O Brasil precisa trabalhar cada vez mais esse acesso aos mercados, com uma presença cada vez mais forte dos nossos exportadores lá fora, participando de feiras e eventos. Isso é uma conexão que deve envolver o setor público, o setor privado e entidades do setor. E, claro, que a gente cuide muito bem da sanidade dos nossos rebanhos, porque a sanidade é muito mais do que o passaporte, é o visto para que a gente possa continuar acessando os mercados internacionais”, ressaltou.